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Guia principal: preço inexequível

Como montar a composição de custos da proposta

Se o seu preço for questionado, é a composição de custos que vai defendê-lo. Ela liga o que será entregue aos recursos, aos valores e às provas de cada premissa, e precisa explicar por que a sua empresa consegue executar o objeto pelo preço ofertado.

Por Equipe Dois RiosPublicado em Atualizado em 9 min de leitura

Conteúdo informativo, sem caráter de consultoria jurídica. Fontes conferidas em 24 de outubro de 2026.

Em resumo

  • Comece pelo edital: cada obrigação que gera custo precisa aparecer na planilha.
  • Cada número precisa de uma prova: cotação, contrato, nota fiscal ou memória técnica.
  • A soma tem que bater com a proposta final, inclusive depois dos lances.
  • Margem não é caixa: lucro no papel não paga fornecedor antes do primeiro pagamento.
  • Defina o piso antes da sessão e registre quem o aprovou.

Comece pelas obrigações do edital

Antes de abrir a planilha, leia o termo de referência, o projeto (quando houver) e a minuta do contrato. Anote tudo o que gera custo: produto ou serviço, quantidades, prazo, locais, frequência de entrega, instalação, suporte, garantias e condições de pagamento.

Use o modelo de planilha do edital quando ele for exigido. E mesmo que a proposta inicial peça só preço e descrição, mantenha uma memória interna que explique como você chegou ao valor e como pretende cumprir a oferta. A Lei 14.133 permite que o órgão exija a demonstração de exequibilidade, e o art. 63, § 1º, exige declaração de que a proposta cobre os custos dos direitos trabalhistas aplicáveis. [1]

Dica: para cada obrigação, anote onde ela aparece no edital. Assim, quando você reduzir o preço, fica fácil conferir se o escopo continua coberto.

O que a sua memória de cálculo precisa ter

Separe três blocos: a identificação da proposta, as premissas de execução e a conta do preço. O roteiro abaixo é uma organização prática, que você adapta ao objeto. Não é um formulário legal obrigatório.

Campos para organizar a composição
CampoO que registrar
IdentificaçãoProcesso, item ou lote, versão do edital e data da conta
Unidade e quantidadeA unidade exigida e o volume da proposta
ComponenteMaterial, serviço, pessoal, frete, tributo ou outra despesa
Base de cálculoQuantidade, tempo, valor de aquisição ou receita, conforme o componente
CálculoComo a base e o custo unitário ou percentual formam o total
EvidênciaCotação, contrato, documento fiscal, memória técnica ou outro suporte
CondiçãoValidade, volume mínimo, prazo de pagamento e restrições da evidência
ConciliaçãoA correspondência entre os totais da planilha e a oferta final

Atenção às condições escondidas nas cotações. Um desconto por volume só vale se você realmente comprar aquele volume. Uma cotação à vista só funciona se houver caixa para pagar à vista. Essas premissas precisam estar visíveis para quem autoriza o lance.

Na prática: um fornecimento com entrega parcelada

Imagine uma empresa fictícia que vai fornecer um produto com entregas parceladas. O modelo abaixo não traz valores de mercado nem alíquotas: cada campo deve ser preenchido com informação verificável da própria empresa e do edital.

Componentes de uma proposta de fornecimentoExemplo fictício
ComponenteComo formar o custoEvidência a conferir
ProdutoQuantidade a adquirir × custo da unidade corretaCotação vigente, pedido confirmado ou custo de produção
EmbalagemMaterial necessário para cada entregaEspecificação e preço do acondicionamento
TransporteCusto das remessas previstas para cada destinoCotação de frete ou memória da operação própria
TributosIncidência aplicável à operação e à empresaMemória tributária com base e enquadramento
Garantia e assistênciaRecursos para cumprir a obrigação do editalCondições do fabricante e estrutura de atendimento
Despesas indiretasParcela atribuída à execução, sem duplicidadeCritério de rateio documentado
ResultadoReceita da oferta menos os custos consideradosMemória completa e aprovação comercial

O preço de compra é só uma parte da conta. Confira se o fornecedor cotou a mesma unidade que o órgão exige e se o frete está incluído. Se já estiver no custo de aquisição, registre isso para não somá-lo duas vezes.

Vai entregar a partir do estoque? Documente a aquisição, a especificação, a quantidade disponível e as condições de conservação. Estoque próprio pode explicar uma vantagem comercial, mas precisa cobrir todo o volume e todas as obrigações assumidas.

Uma conta que qualquer pessoa consegue refazer

Ainda no exemplo fictício, use letras para montar a memória com os dados da empresa: q é a quantidade de produtos, c o custo de aquisição por unidade, E a embalagem, F o frete total e I as demais despesas de execução. Cada despesa entra uma única vez.

Do custo ao resultado da ofertaExemplo fictício
EtapaContaConferência
AquisiçãoA = q × cMesma unidade de compra e de fornecimento
Custos antes dos tributos sobre a vendaC = A + E + F + II reúne os demais custos pertinentes, sem repetir as parcelas anteriores
Tributos sobre a vendaT(P)Cálculo fiscal para o preço final P, com as bases e incidências aplicáveis
Resultado da ofertaR = P − C − T(P)Quanto sobra do preço depois das parcelas consideradas
ConciliaçãoP = C + T(P) + RA soma precisa voltar exatamente à proposta final

Três cuidados com essa conta:

  • Frete já incluído na cotação? Lance em F só o transporte que ainda não está coberto.
  • Baixou o preço no lance? Refaça T(P) e R. Mantenha C só se as premissas de custo continuarem válidas: reduzir o seu preço não reduz o preço do seu fornecedor.
  • I precisa estar completo, incluindo custos financeiros e de garantia quando houver.

A conta serve para conciliar a proposta e achar omissões. Para demonstrar a viabilidade, você ainda precisa provar os custos e o caixa necessário.

Tributos: cuidado com bases diferentes

Tributos podem ter bases e tratamentos diferentes. Uma porcentagem que incide sobre o preço de venda não pode ser somada ao custo de compra como se as bases fossem iguais. Considere também os créditos que a empresa realmente pode aproveitar, sem reduzir o custo com um crédito que ela não pode usar.

Peça à área fiscal a memória aplicável ao produto ou serviço, ao regime da empresa e à operação. Este guia não fixa alíquota nem presume isenção. Se houver benefício fiscal, registre a base legal e as condições para usá-lo.

Ao transformar a conta em proposta, confira se o preço informado ao órgão já inclui os encargos exigidos. E deixe clara, no planejamento de caixa, a diferença entre tributo incidente e retenção no pagamento, para não contar o mesmo valor duas vezes.

Serviços e mão de obra

Em serviços, a conta depende de equipe, jornada, produtividade, materiais e equipamentos. Identifique as normas coletivas que se aplicam ao enquadramento da empresa, à categoria, à localidade e ao período, incluindo salários, benefícios e encargos.

Nas contratações federais de serviços, a IN 5/2017 detalha elementos de proposta, produtividade e planilha, e a IN SEGES/ME 98/2022 autoriza sua aplicação, no que couber, às contratações de serviços sob a Lei 14.133. Essa remissão não transforma toda disposição da IN 5 em regra universal para qualquer ente. [2] [3]

Perguntas para conferir uma composição de serviços
PremissaPergunta de conferência
Equipe e jornadaO dimensionamento atende aos postos, horários e entregas exigidos?
Remuneração e benefíciosForam consideradas as obrigações legais, coletivas e contratuais aplicáveis?
Ausências e substituiçõesA execução continua coberta em afastamentos e férias?
ProdutividadeA empresa consegue demonstrar o rendimento adotado?
Materiais e equipamentosQuantidades, reposição, manutenção e mobilização estão na conta?
SupervisãoO custo de coordenar a operação entrou na conta?

O Portal de Compras disponibiliza orientações e planilha de custos para serviços com dedicação exclusiva de mão de obra. Use a versão e o modelo compatíveis com a contratação: uma planilha de terceirização não substitui a composição própria de uma venda de mercadoria. [4]

Margem e caixa: duas contas separadas

A margem mostra o resultado econômico previsto. O fluxo de caixa mostra quando você paga fornecedores, empregados e tributos e quando recebe. Uma proposta com margem positiva ainda pode exigir que a empresa tire dinheiro do bolso antes do primeiro pagamento.

Monte um calendário de desembolsos e recebimentos de acordo com o edital. Trate entrega, recebimento do objeto, faturamento e prazo de pagamento como eventos distintos. O guia de pagamento da nota de empenho explica a documentação dessa etapa.

E se a margem for pequena ou zero? Pode ser uma decisão comercial, e o TCU reconhece estratégias que reduzem a remuneração da empresa. Mas ela precisa ser assumida conscientemente, ser compatível com a execução e, se o órgão pedir, ser demonstrada. [5]

Registro de preços: o volume não está garantido

A ata registra condições para contratações futuras, e o art. 83 da Lei 14.133 não obriga a Administração a contratar. Por isso, desconfie de um preço que só fecha se a compra for integral. [1]

Confira as regras do edital sobre quantidades e atendimento. Com entregas parceladas, teste o custo logístico dos pedidos possíveis e o prazo de validade da cotação do seu fornecedor. O guia de gestão de saldo e pedidos da ata ajuda a separar quantidade registrada de contratação efetiva.

Defina o seu piso antes da sessão

Na hora da disputa não há tempo para refazer a planilha. Prepare-se antes:

  1. Feche as premissas de escopo e execução com quem vai entregar o objeto.
  2. Confira os documentos dos componentes que mais pesam no preço.
  3. Calcule os custos e o resultado que a empresa aceita assumir.
  4. Teste o caixa necessário para executar nas condições do edital.
  5. Registre o preço mínimo autorizado e quem o aprovou.
  6. Depois dos lances, atualize a memória para o valor efetivamente ofertado.

O piso é da sua empresa e não se confunde com os percentuais legais e regulamentares. Se a disputa passar do que a empresa consegue sustentar, refazer a planilha depois não cria a capacidade econômica que faltava.

Perguntas frequentes

Posso usar uma cotação antiga?

Ela pode documentar uma condição histórica, mas você precisa explicar por que ainda vale para o fornecimento atual. Confira validade, especificação, quantidade e condições comerciais, e não presuma que o fornecedor vai manter o preço.

Estoque próprio elimina o custo do produto?

Não automaticamente. O estoque precisa ser identificado e demonstrado. Avalie o tratamento do custo já incorrido, a quantidade disponível e as despesas que ainda faltam para entregar. Ter o bem no armazém não elimina tributos, frete ou garantia.

Preciso enviar toda a memória interna junto com a proposta inicial?

Confira o que o edital exige e em que momento. Prepare a memória antes da disputa e apresente o detalhamento pertinente quando for solicitado. Para a resposta ao órgão, veja diligência de exequibilidade.

Fontes oficiais